Entendendo melhor a Adolescência!

Adolescência agora vai até os 24 anos de idade, e não só até os 19, defendem cientistas australianos.

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Aquela fase odiada pela maioria das pessoas, a adolescência, ganhou uma sobrevida de cinco anos. Em vez de terminar aos 19, idade considerada na maioria dos países, um grupo de cientistas defende que a adolescência se estende dos 10 até os 24 anos:-

“O fato de jovens estarem optando por estudar por um período de tempo mais longo, não só até a faculdade, assim como a decisão cada vez mais frequente de adiar casamento e maternidade/paternidade, estariam mudando a percepção das pessoas de quando a vida adulta começa”, dizem pesquisadores australianos em um artigo publicado nesta semana (19/Jan./2018) na revista científica Lancet Child & Adolescent Health. (https://veja.abril.com.br/ciencia/adolescencia-agora-vai-ate-os-24-anos-diz-estudo/)

O artigo ainda diz que, “Para estes cientistas, a redefinição da duração da adolescência seria essencial para assegurar que as leis que dizem respeito a esses jovens continuassem sendo asseguradas. Outros especialistas, no entanto, dizem que postergar o fim da adolescência pode, mais adiante, infantilizar os jovens.”

Na minha opinião, a ‘duração’ da adolescência depende muito mais da Educação que os jovens recebem em suas casas, bem como dos amigos e dos ambientes que nesta idade escolhem frequentar, seja neste século XXI ou em qualquer outro. Daí a importância de os pais serem muito bem preparados para educar seus filhos, para não transformarem crianças normais em jovens desequilibrados e marginalizados pela sociedade onde vivem. Em toda sociedade existem aqueles que se saem bem e colaboram para que todos sejam melhores do que as gerações anteriores, assim como qualquer sociedade tem em si jovens desequilibrados, carentes, agressivos que conseguem destruir tudo o que o ambiente social levou anos para se tornar melhor – SEMPRE PELA FALTA DE ORIENTAÇÃO FAMILIAR E ESCOLAR QUE NÃO RECEBEM.

Sobre a Puberdade

Estudos sobre a Puberdade focam as diferentes abordagens e duração do tema da Puberdade. Assim, a duração da adolescência já chegou a ser alterada antes, quando se concluiu que, com os avanços da saúde e da nutrição, a puberdade iniciava antes dos 14 anos, como se convencionava. Minha geração, por exemplo, iniciou as transformações físicas e emocionais da puberdade entre 11 e 13 anos, que segundo alguns especialistas coincide com as alerações do cérebro, quando o hipotálamo ativa as glândulas hipófise e gônadas, que, entre outras coisas, liberam hormônios sexuais. Entretanto, observou-se que à partir de um dado momento (não especificado) a adolescência passou a acontecer por volta dos 14 anos, voltando a cair gradualmente no mundo desenvolvido nas últimas décadas, chegando ao patamar de 10 anos – o que aqui no Brasil já acontecia. E volto a dizer que a Educação Familiar e Cultura de um país é que antecipam ou atrasam essa “faixa de maturidade física e emocional’ – e NÃO A IDADE. Talvez por sermos um ‘país tropical’, com muito calor, usando sempre e naturalmente pouca roupa, isso acaba desenvolvendo o aspecto físico e sexual das garotas e garotos, antecipando seu interesse sexual.

Já em países industrializados como o Reino Unido, onde o clima incentiva usar mais roupas sobre o corpo, a idade média para a primeira menstruação de uma garota acabava demorando mais, adiando também o interesse de adolescentes pelo sexo. Talvez as novas alterações estejam acontecendo agora por lá, por conta da atual Globalização facilitada pelas novas tecnologias da Internet e Televisão, ativando os interesses sexuais dos jovens antes do que acontecia até poucos anos atrás – que, segundo os cientistas desse estudo, caiu quatro anos nos últimos 150 anos. Metade das mulheres agora, na Inglaterra, fica menstruada pela primeira vez entre 12 e 13 anos (o que sempre aconteceu aqui no Brasil, naturalmente).

A Biologia também é usada como argumento por aqueles que defendem que a Adolescência termina mais tarde – os cientistas justificam o que dizem com argumentos tais como ‘porque o corpo continua a se desenvolver’, assim como o cérebro, lógico. Já não é segredo para ninguém que o cérebro continua se desenvolvendo depois dos 20 anos, trabalhando de maneira mais rápida e eficiente. E para muitos, os dentes do siso não nascem até que complete 25 anos.”

Nesse quesito, novamente percebo uma grande diferença entre a população inglesa e a brasileira. Na grande maioria das vezes aqui no Brasil os jovens já têm seus dentes do siso até a idade de 21 anos.

Estes cientistas australianos que me perdoem, mas eu mesma fiquei menstruada com 10 anos – e isso, no século passado.

E há muito tempo sabemos que o cérebro se desenvolve durante toda a nossa vida, enquanto tivermos saúde física, pois ele é ‘maleável’, tem uma plasticidade capaz até de recompor partes dele que são perdidas em cirurgias ou acidentes, assumindo o que as partes perdidas eram responsáveis, bastando praticar exercícios mentais específicos que ele SEMPRE IRÁ MELHORAR. Aliás, o psicólogo Dr. Reuven Feuerstein já afirma desde sempre: – “Não aceite o determinismo genético de seu cérebro. Ele sempre pode ser modificado.”

Adiando planos familiares

Ainda segundo os estudos desses cientistas australianos, “os mais jovens também estão adiando o casamento e a maternidade/paternidade. Com base no Escritório Nacional de Estatísticas do Reino Unidos, a idade média para o primeiro casamento de um homem era 32,5 anos em 2013 e de 30,6 para as mulheres na Inglaterra e no País de Gales. Isso significa um aumento de 8 anos desde 1973.”

No artigo que explica os motivos para o aumento da duração da adolescência, Susan Sawyer, diretora do Centro para a Saúde do Adolescente do Hospital Royal Children’s em Melbourne, na Austrália, escreve: “Apesar de muitos privilégios legais da vida adulta começarem aos 18 anos, a adoção das responsabilidades e do papel de adulto geralmente acontece mais tarde”.

Ela diz que “postergar o casamento, o momento de ter filhos e a independência financeira significa ‘semi-dependência’, o que caracteriza que a adolescência foi ‘estendida’ ”.

ANÁLISE QUE FAÇO DESSAS ALTERAÇÕES DE TEMPO e DECISÕES mostradas na Pesquisa, com base em Meus Próprios Estudos, Pesquisas e Vivência dessas circunstâncias – como Adolescente que já fui, como Psicopedagoga e Orientadora Educacional de Pré-Adolescentes e Adolescentes em escolas particulares e públicas aqui no Brasil, há mais de 25 anos.

Tudo o que os pesquisadores mostram como ‘Imaturidade’, ‘adolescência estendida’, como se tais características fossem ‘Gerais’, abrangendo a fase da ADOLESCÊNCIA no MUNDO TODO…, NÃO ESTÁ CORRETO. Se o estudo focar tão-somente adolescentes ingleses, então nada tenho a dizer, porque meu Conhecimento Prático sobre a Adolescência está todo embasado em crianças, pré-adolescentes e Adolescentes aqui do Brasil, vivendo na Cultura brasileira (mesmo quando são estrangeiros).

Entretanto, a pesquisa também foca e analisa adolescentes e jovens brasileiros, conforme se pode ler, abaixo:

“No Brasil, a permanência por cada vez mais tempo dos jovens na casa dos pais é uma marca da chamada ‘geração canguru’, nome dado pelo IBGE em 2013 ao fenômeno que engloba pessoas de 25 a 34 anos e que vem crescendo no país.”

No meu modo de ver e analisar o exemplo citado acima, num Mundo que está em crise Econômica e, portanto, crise de Emprego – principalmente no Brasil desde o início deste novo século, como pensar em casar e ter filhos num ‘clima econômico’ desses?

Irresponsabilidade, falta de Maturidade, seria esses jovens pensarem em se casar e ter filhos sem terem condições financeiras para tanto – indo morar com seus pais. Isso sim, seria pura Imaturidade de Adolescente.

Obs.: – Os dados foram divulgados na Síntese de Indicadores Sociais – Uma análise das condições de vida da população brasileira, com dados referentes ao intervalo entre 2002 e 2012. Volto a afirmar que NÃO DÁ PARA ANALISAR TAIS DADOS APRESENTADOS COMO SINAIS DE ‘IMATURIDADE’.

Mudança nas leis

“Essa mudança, pondera Sawyer, precisa ser levada em consideração pelos políticos, para que as leis e benefícios voltados a esse público sejam alterados.”

Definições de idade são sempre arbitrárias, mas nossa atual definição de adolescência está excessivamente restrita, diz a cientista. (Restrita? Restrita a quê?eu pergunto) Russell Viner, presidente da associação Royal College de pediatria e saúde infantil, diz que no Reino Unido a idade média para um jovem sair de casa é 25 anos. Ele apoia a ideia de que a adolescência seja estendida até os 24 anos e diz que os serviços no Reino Unido já levam isso em conta.

Segundo ele, hoje as leis no Reino Unido consideram a idade de até 24 anos para o governo garantir a provisão de serviços para crianças e adolescentes que precisam de atendimento especial (seja por abandono ou outro motivo) e que têm necessidades especiais em termos educacionais.”

Volto a afirmar como absurdo tais afirmações. Minha geração (hoje entre 60 e 70 anos), fizemos faculdade e enquanto estivemos estudando já trabalhávamos também, ansiosos para ter nossa autonomia financeira – única a nos permitir ter mais liberdade de escolhas.

Infantilizar os adultos

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A socióloga da Universidade de Kent Jan Macvarish, que estuda paternidade, diz que há um perigo em estender o conceito de adolescência.

“Crianças mais velhas e jovens são moldados de maneira mais significativa pelas expectativas da sociedade sobre eles com o seu intrínseco crescimento biológico”, ela diz.

“Não há nada necessariamente infantil em passar o início dos seus 20 anos no ensino superior ou tendo experiências no mundo do trabalho.” E não deveríamos arriscar transformar o desejo deles por independência em uma patologia. “A sociedade deveria manter as expectativas mais altas em relação à geração seguinte”, diz Macvarish. E eu concordo totalmente com ela.

Viner discorda dela e diz que “ampliar a adolescência pode ser visto como dar poder aos jovens ao reconhecer as diferenças deles”. Eu, particularmente, não vejo Kent Jan Macvarish, afirmando que “está certo estender o coneito de adolescência”. O que ela afirma é que o perigo está em não reconhecer os pontos fortes dos adolescentes, conforme aparece na citação dela, abaixo: –

“Contanto que isso seja feito de uma posição de reconhecimento dos pontos fortes dos jovens e do potencial do desenvolvimento deles em vez de focar os problemas da adolescência.”

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Continuando… em separado, MINHA ANÁLISE SOBRE AS CONSIDERAÇÕES ACIMA

As características mencionadas nesta reportagem têm a ver com a EDUCAÇÃO QUE AS CRIANÇAS RECEBEM NA FAMÍLIA…, E NÃO SÓ AGORA, MAS DESDE SEMPRE. PORQUE TAIS CRIANÇAS AINDA NÃO TÊM COMPETÊNCIA (maturidade, conhecimento, vivência) PARA ASSUMIR RESPONSABILIDADES MAIORES DO QUE AS DE CUIDAR DE SI MESMAS E DE SUA COMUNIDADE. Até as Crises Econômicas no mundo todo levam os adolescentes e jovens a permanecer dentro da família – em sua grande maioria não porque gostem dessa ‘dependência’, mas por total falta de oportunidade de conseguirem um emprego que lhe garanta sua Autonomia Financeira, única coisa capaz de lhes trazer Total Liberdade de Escolha sobre onde morar, com quem morar, para onde ir…

Caso isso fosse verdade (adolescentes permanecendo irresponsáveis e imaturos por mais tempo), COMO EXPLICAR a ATITUDE DA JUSTIÇA BRASILEIRA EM DIMINUIR A IDADE DE 18 PARA 16 ANOS, e em seguida abaixar até os 14 ANOS, subentendendo-se que já têm condições de Maturidade para ter Consciência do que estão fazendo (o que é Certo ou Errado) e até serem condenados (e presos) assumindo a Responsabilidade sobre seus atos bem antes dos 18 anos como era até o final do século passado??? Isso é o que a Justiça (apoiada pela sociedade) já vem fazendo desde o início deste século. Afinal, QUEM ESTÁ COM A RAZÃO?

Ou eles têm amadurecimento para assumir a responsabilidades por seus atos mais cedo…, ou NÃO PODEM SER CONDENADOS ou CRITICADOS PELAS ATITUDES QUE TOMAM ANTES DOS 18 ANOS.

No século passado, quando um adolescente cometia alguma infração grave ou crime SEU PAI (ou RESPONSÁVEL) É QUE IA PRESO por não lhe ter dado a orientação (Educação) que necessitava. Era o Pai que era omisso em suas responsabilidades com seus filhos.

Agora, adolescentes são presos porque a Justiça determinou que já têm idade para ‘saber o que estão fazendo’… E os pais reclamam deles porque os filhos ‘estão adiando’ a hora de assumirem sua própria vida. E AGORA…, COMO FICA TUDO ISSO?

Ao que tudo indica os ADULTOS, dentro e fora da Família e também na Justiça É QUE NÃO ESTÃO SABENDO EDUCAR SEUS FILHOS nem tendo MATURIDADE PARA SABER O QUE FAZER, COMO AGIR, COM AS REAÇÕES DESSES ADOLESCENTES.

Existe uma frase antiga que demonstra profunda sabedoria ao afirma: – “A geração que nos Critica é exatamente aquela que nos Educa”.

QUE TAL OS ADULTOS (PAIS, JUIZES e até os CIENTISTAS desta pesquisa) QUE SE CONSIDERAM DE GRANDE SABEDORIA SOBRE ADOLESCENTES…, APENAS SE LEMBRAREM DE COMO ERAM NA SUA ADOLESCÊNCIA;

  • COMO SEUS PAIS OS EDUCARAM QUANDO ESTAVAM NESSA FASE – COMO SEUS PAIS AGIAM QUANDO NÃO FAZIAM A COISA CERTA…, – E SE APROFUNDAREM NOS ESTUDOS DE PSICOLOGIA…

Até mesmo sugiro…

  • FAZEREM UMA TERAPIA PROFUNDA QUE OS AJUDE A ENTENDER MAIS SOBRE O SER HUMANO…,
  • SOBRE OS ADOLESCENTES DE HOJE (para os Adultos deixarem de falar e tomar tantas atitudes drásticas e absurdas em relação às Crianças, Adolescentes e Jovens de nossas Sociedades Atuais):
  1. PORQUE NOSSA REALIDADE DE HOJE É OUTRA, totalmente diferente daquela do século passado: Pais e mães precisam sair para trabalhar e deixam seus filhos sozinhos. Quando chegam em casa, já estão tão cansados que nem têm ânimo para conversar com os filhos e se inteirar do que eles têm feito, como estão na escola, com os amigos, etc.;
  2. Quantas vezes os pais fazem algum programa junto com seus filhos nessa idade?
  3. Os Pais só ficam sabendo do que acontece com seus filhos quando fazem algo de errado. Então, culpam seus filhos e colocam de castigo…; Conversar mesmo que é bom…, ninguém faz!
  4. Porque os adolescentes de ontem, de hoje e de amanhã… SERÃO SEMPRE DO MESMO JEITO, AGIRÃO DA MESMA FORMA…, PORQUE CONTINUARÃO A TER AS MESMAS NECESSIDADES QUE TODOS NÓS TIVEMOS ANTES DELES.
  5. PORQUE AINDA NÃO ESTÃO PREPARADOS PARA A VIDA E PRECISAM DE ORIENTAÇÃO, MUITO MAIS DO QUE DE REPREENSÃO OU CRÍTICA.

Antes de decidirem ter filhos, os pais deveriam ser obrigados a FAZER UM CURSO SOBRE “COMO SER PAI E MÃE”.

Antes de PUNIREM ou PRENDEREM ADOLESCENTE…, a JUSTIÇA DEVERIA OBRIGAR OS PAIS A ORIENTAR MELHOR SEUS FILHOS – OU PROIBÍ-LOS DE TER FILHOS.

EDUCAÇÃO FAMILIAR É TUDO NESSA VIDA.

Fazer filhos é a parte mais fácil!

Educá-los para se tornarem adultos preparados para viver em Sociedade, preocupados em ‘dar o seu melhor’ aos que estão à sua volta… isso é outra história!

Angela Alem                                                               22 de Janeiro de 2018

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