UM PROFESSOR-EDUCADOR DAS NOVAS GERAÇÕES

Dia dos Professores 15-10-2011
UM PROFESSOR-EDUCADOR DAS NOVAS GERAÇÕES 
Professores precisam saber muito bem o que ensinam, SIM, mas isso sempre foi a obrigação deles, parece óbvio. Mas não é. Nos dias atuais os Professores-Educadores precisam saber também algumas coisas mais, para não terem problemas com seus alunos em sala de aula e não lhes criar dificuldades após se formarem.

                Entretanto, na maioria das Universidades Públicas brasileiras, que formam os atuais Professores-Educadores, parece não haver uma preocupação em atualizar o currículo do curso de Pedagogia, liberando novos profissionais da Educação com a Mente, os Saberes e o Comportamento dos antigos professores, acrescentando ao currículo tão somente o domínio de novas tecnologias para utilizá-las apenas como um ‘recurso instrucional’ mais interessante e motivador para as novas gerações.

Será mesmo que isso basta para atender as novas exigências dessas novas Gerações, do Mercado de trabalho onde irão atuar, e da expectativa da Sociedade como um todo, sobre a qualidade dessa formação?

Por exemplo:
• Quanto os cursos de Formação do novo professor-Educador ensinam e levam seus alunos a refletir sobre as características das gerações que estão hoje, frequentando a escola – desde o ensino Fundamental até a Universidade?
• Quanto é solicitado e informado a esses novos Professores sobre os Sonhos, Expectativas e Anseios  dessas novas gerações, em comparação com as gerações do século passado?
• O que as Motiva a querer saber mais?
• Ou essas gerações não querem saber coisa alguma?
• Como incentivá-las a gostar e querer aprender assuntos que no momento não as interessa, mas que são muito importantes para sua atuação, no Futuro?
• Como introduzir os alunos na dinâmica das aulas, dentro de suas classes, de forma a prender-lhes a atenção?
               O que significa ‘saber muito bem o que se ensina’?
                  No Brasil, existe um ‘Culto’ exagerado ao Diploma, ao Certificado, aos Cursos de Pós-Graduação…, tanto nas Universidades quanto nas Empresas. Assim, as Universidades aprofundam muito as ‘teorias’ (por leituras e pesquisas), os ‘saberes’ aprendidos na escola fundamental e ensino médio, porém sem fazer qualquer relação com o ‘como’ se chegou a tais teorias e como melhor aproveitá-las na realidade do nosso cotidiano de ensino-aprendizado.
                Quanto mais títulos a pessoa mostrar em seu currículo, melhor o profissional é avaliado e mais alta será sua remuneração no Mercado de Trabalho em qualquer profissão. Entretanto, ou talvez exatamente por esse motivo, nem as empresas, nem as universidades dão ênfase ao lado ‘prático’ desse aprendizado na hora de contratar novos funcionário. Isso só acontece quando os resultados esperados do desempenho de seus profissionais (tanto na escola quanto nas empresas) não correspondem ao descrito em seus currículos.

                 No meu cotidiano de trabalho em empresas, na área de RH (Desenvolvimento e Avaliação de Pessoas) em grandes empresas nacionais, multinacionais e transnacionais, as evidências mostram que essa é uma política equivocada: Títulos nada têm a ver com a ‘Qualidade de Desempenho ou Impacto Positivo nos resultados comerciais das empresas, nem mesmo nos resultados finais do processo ensino-aprendizado, nas escolas onde tais profissionais da Educação atuam.

O nível de conhecimento teórico mais elevado de um profissional – de qualquer área – não é garantia de que seu trabalho trará resultados positivos para o crescimento da empresa ou da escola onde trabalha. Quando a aplicação Prática de conhecimentos não é questionada nem exigida, isso traz problemas para qualquer profissional – por mais ‘Títulos’ acadêmicos que ele possua. Na verdade, é mais comum o contrário.

                Exemplo:- Quando o professor é mais motivado para a pesquisa científica e conhece os assuntos num nível de elaboração muito elevado, ele tende a usar uma linguagem que não se presta ao ensino de crianças, adolescentes e jovens. Ou mesmo ao ensino técnico de adultos com baixo nível de estudo.
                 No caso específico do atual Professor-Educador, saber ‘o Que ensinar’ significa bem mais do que ‘dominar a fundo os conteúdos e o que está por trás deles’é também saber o ‘Como ensinar’ e ‘a Quem irá ensinar’.
               É muito mais importante um professor das séries iniciais, e mesmo do ensino médio (profissionalizante’ ou não), saber:-
• O que está ‘por trás do conceito’ daquilo que vai ensinar. Por ex.: o ensino da ‘propriedade aditiva da multiplicação’ ou,
• Saber identificar ‘onde reside a dificuldade dos alunos’ para que eles consigam ‘se apropriar’, entender e aplicar, por exemplo, o ‘princípio de multiplicar frações’, tem um impacto muito maior no aprendizado, do que esse professor saber ‘calcular derivadas’ ou ‘rodar matrizes mentalmente’.
              É muito mais importante que o Professor-Educador de alunos em todos os níveis de ensino, saiba:-
• ‘Como ajudar seus alunos’ (crianças, jovens e adultos dos cursos profissionalizantes) a ‘Usar e   Interpretar o Significado’ dos Pronomes numa frase do que conhecer a fundo a gramática, a semântica ou as teorias linguísticas mais avançadas. No exemplo:-“A mãe dela disse que ela era pobre”: afinal, quem era pobre, ela ou a mãe dela?  Deu para entender?
No caso da Educação Infantil, os conhecimentos são bem mapeados: o professor precisa conhecer tão a fundo quanto possível:
  • a Psicologia do Desenvolvimento, s
  • saber utilizar estratégias adequadas para promover o desenvolvimento de seus alunos, para interagir de forma adequada com as crianças. Além disso…,
  • precisa ter um bom domínio da língua do país onde leciona (e da língua que irá ensina),
  • um vasto conhecimento da literatura infantil e
  • saber onde localizar e utilizar recursos capazes de Motivar seus alunos a aprender.
                      Na verdade, em termos de ‘Conceitos’, o professor só precisa dominar:
  • alguns poucos conceitos, porém de forma precisa, clara, principalmente usando exemplos práticos.
  • precisa saber os fundamentos, mas sem reverenciar teorias ou cultuar os seus proponentes. E, sobretudo,
  • o professor deste século precisa de Muita Prática no lidar com seus alunos,  sejam eles crianças ou adolescente. A Teoria, sozinha, NÃO FAZ MILAGRES.
                Com os jovens e adultos do Ensino Profissionalizante, com pouco estudo, o professor não precisa saber sobre Pedagogia. O que ele precisa dominar muito bem é a Andragogia (ensino de adultos), para não irritar seus alunos adultos quando se dirigir a eles como se fossem ‘crianças’.
Imprescindível ao novo professor será  também dominar algumas técnicas de Motivação, e entusiasmá-los a gostar do que lhes vai ensinar. E utilizá-la sempre, independente da idade dos alunos (de crianças a adultos). Porque nenhum jovem ou adulto, nem o próprio professor, gosta que o tratem como crianças, ou como alguém incapaz de aprender – só porque não teve oportunidade de ir à escola quando era mais jovem.
               Em todas as séries – E NÃO SÓ NAS INICIAIS – o professor precisa conhecer a fundo também:-
• as dificuldades mais comuns dos seus alunos, e
• as razões pelas quais eles têm essas dificuldades. Esses conhecimentos são essenciais para o processo de Ensino-Aprendizado.
            Para todas as matérias o professor deverá ser preparado para saber:
• As características dessas novas gerações,

a se atualizar buscando as novidades que surgem em metodologias e técnicas de ensino capazes de motivar mais seus alunos a aprender e praticar o que lhes é transmitido.

Hoje, o que melhor funciona com alunos mais jovens é:
• NÃO DAR A RESPOSTA PRONTA, mas SIM, Ensina-los e Motivá-los a BUSCAR AS RESPOSTAS, a Pesquisar em fontes confiáveis, orientadas pelo professor em sala de aula, para que eles mesmos ‘descubram’ a que se refere o que irão aprender’ e,
• Como e Quando tal conteúdo pode e deve ser aplicado, com seu significado correto (e não ‘por achômetro’). Para isso é que existem Exercícios Práticos – quanto mais, melhor o aprendizado.

No caso das séries finais (ensino Médio e Universidade), um indicador prático é que:
• o professor deve ter um conhecimento amplo e preciso das disciplinas que leciona, e um conhecimento um pouco mais avançado dos conteúdos do ensino médio para saber ‘o que o aluno fará com esses conhecimentos’. E explicar isso aos alunos
• o professor precisa saber ensinar também contando boas histórias (até piadas inteligentes, charadas…), apresentando sua disciplina em forma de narrativas que envolvam e capturem a atenção de seus alunos. Sem, entretanto, lhes dar ‘respostas prontas’.

               Já está confirmado que tudo que nos é apresentado envolvido em ‘emoções positivas’ nós conseguimos reter na memória e compreender melhor seu significado.
• Portanto, outro conhecimento imprescindível ao novo Professor-Educador desses novos tempos é ‘Saber Emocionar Positivamente’ seus alunos e saber lidar com as Emoções Negativas, suas e dos alunos, para que elas não atrapalhem o Processo  Ensino-Aprendizagem.
             O Governo Federal e as Universidades Públicas que formam professores no Brasil ainda não se dispuseram a preparar esse tipo de Professor-Educador para as redes de ensino público. O  Ministério da Educação, ao invés de propor currículos rigorosos e ‘engessados’ para os cursos de Pedagogia, em lugar de patrocinar exames que valorizam mais ‘conhecimentos genéricos’ e ‘adesão a determinadas ideologias’, deveria trocar idéia, dialogar mais com quem está na sala de aula e conhece muito bem quem e como são seus alunos, bem como do que necessitam para tornarem-se cidadãos de bem e melhores profissionais – seja em que área de trabalho desejem atuar mais tarde como profissionais.
                 Infelizmente, com essa mentalidade de valorizar mais ‘Títulos e Certificados’, deixando de lado a Prática Pedagógica, as Universidades, por sua vez, raramente possuem docentes que conhecem a linha de frente, com experiência prévia em sala de aula, limitando-se, nos melhores casos, a compartilhar conhecimentos teóricos e nem sempre atualizados.
FELIZ  DIA  DOS  PROFESSORES  A TODOS –    15-10-2015
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Um comentário sobre “UM PROFESSOR-EDUCADOR DAS NOVAS GERAÇÕES

  1. Mais um excelente texto seu, minha querida Angela Alem. ❤ ❤ Um modo perfeito de despertar a consciência dos Professores e de melhorar as metodologias de ensino. Seria perfeito que os poderes governativos acordassem para uma melhoria significativa do Ensino na maioria dos Países do mundo.

    Curtido por 1 pessoa

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