Desacelerando o Ritmo de sua Vida – é possível??

Respeite seu ritmo interior e seja mais feliz

bicho preguiça com filhote 23-10-2015

Num mundo obcecado com a Velocidade, onde se busca Realizar cada vez MAIS EM MENOS TEMPO, cada momento do dia é sentido como uma CORRIDA CONTRA O RELÓGIO – e ainda acrescentamos o Horário de Verão, no qual Adiantamos nosso Relógio Externo em UMA HORA.

E como fica nosso Relógio Biológico, diante de tanta ‘aceleração’??

Nós costumávamos Ler, cada um no seu próprio ritmo. Agora fazemos Leitura Dinâmica(rápida). Costumávamos Caminhar; agora nós Corremos, ou, no mínimo, Aceleramos o Passo. Costumávamos Telefonar para as pessoas, discando seu número de telefone. Agora, gravamos os números que mais usamos e, quando precisamos fazer uma nova ligação, apenas damos um ‘clic’ em ‘Rediscar’ e, pronto – a ligação se faz automaticamente. E, até mesmo coisas que são lentas pela sua própria natureza, nós tentamos acelerá-las também – como nossas necessidades físicas – comer, ir ao banheiro, cozinhar…

Penso que no nosso cotidiano, muitas vezes perdemos de vista os danos que esta forma de viver, tão acelerada, nos faz. Estamos tão mergulhados na Cultura da Velocidade que quase não conseguimos perceber o preço que pagamos em cada aspecto de nossas vidas – a nossa saúde, a nossa dieta, nosso trabalho, nossos relacionamentos, o meio ambiente, nossa comunidade, etc.

Às vezes precisamos de um “alerta” para percebermos o fato de que estamos somente ‘correndo’ o tempo todo pelas ‘estradas’ de nossas vidas, em vez de realmente vivê-la, degusta-la, para percebermos seus sutis encantos. Estamos passando rápida e superficialmente por ela, em vez de vive-la em profundidade.

Para muitas pessoas, este “Alerta” assume a forma de uma doença – para nos mostrar que ‘algo está errado’ na nossa vida. O corpo diz: “Eu não aguento mais”, e joga a toalha. Ou talvez um relacionamento que termina nos alerta que estamos indo ‘depressa demais’, e não demos nem o tempo, nem a paciência, ou a tranquilidade necessários para estar com a outra pessoa, para ouvir um ao outro.

Então, me veio a pergunta: É possível, ou mesmo desejável ‘desacelerar’?

Em outras culturas, o tempo é Cíclico. É visto e sentido como movendo-se em grandes círculos, sem pressa. É sempre renovar e relaxar. Entre nós, ocidentais, o tempo é Linear. É um recurso finito que está sempre se esvaindo. Você quer usá-lo ou perdê-lo? “Tempo é dinheiro”, como se costuma dizer. E isso faz com que o Tempo crie em nós uma Dinâmica:- O tempo é escasso e, para ampliá-lo, nós Aceleramos, fazendo cada vez mais com cada vez menos tempo. Assim, transformamos cada momento de cada dia em uma corrida para a linha de chegada – uma linha de chegada, aliás, que nunca chega, mas É a linha de chegada que nós determinamos – ou alguém a determina  por nós.

Será possível libertar-nos dessa mentalidade?

Felizmente, a resposta é Sim, porque o que eu descobri quando comecei a olhar ao redor de mim, é que há uma Reação Global, generalizada que sente o mesmo que sinto e por isso iniciou um Movimento contra essa Cultura de Aceleração que nos diz que mais rápido é sempre melhor, mais ‘agitado’ é que é o melhor.

Do outro lado do mundo, as pessoas estão fazendo o impensável: eles cultivam o ritmo mais lento, e, mesmo assim, (ou talvez exatamente por esse motivo), os asiáticos estão dominando o mundo. Assim, embora a sabedoria convencional diz-lhe que, se você diminuir o ritmo, você mata a produtividade, o oposto acaba por se mostrar mais verdadeiro: por ‘ir mais devagar’ nos momentos certos, as pessoas estão fazendo tudo melhor. Eles comem melhor; eles fazem amor melhor; eles trabalham melhor; eles vivem melhor. E, neste tipo de ‘caldeirão’ de momentos e lugares e atos de desaceleração, seria irracional dizer que desacelerar pode prejudicar a Economia de um país.

O Mundo já percebeu isso e iniciou há alguns anos o Movimento Lento, ou “Slow Motion”, um retorno ao ‘fazer com calma’. Iniciado na Itália como Movimento Slow’ o “Slow Food”, espalhou-se por todo o mundo, e agora tem milhares de adeptos em 50 países impulsionando outros movimentos na mesma linha de raciocínio do “Slow Motion”.

O Slow Cities foi o 2º Movimento Slow. As cidades começam a repensar a forma como organizam a paisagem urbana, de modo que as pessoas são encorajadas a reduzir seu ritmo, relaxar nos jardins lendo um livro ou simplesmente repousando no trabalho por alguns momentos.  

De certa forma, essas mudanças trazem um resultado sinérgico onde mais do que a soma de suas partes isoladamente, os benefícios aos seres humanos têm se multiplicado. Porque  quando uma cidade lenta torna-se oficialmente uma cidade lenta, é como dizer ao resto do mundo, e para as pessoas naquela cidade, que acreditamos que, no século 21, a lentidão tem um papel muito sério a desempenhar.

O Slow Work – foi o 3º Movimento Slow e iniciou na América do Norte. Lá, as horas de trabalho têm diminuído. E a Europa é um exemplo de que as pessoas descobriram que sua qualidade de vida melhora à medida que eles estão trabalhando menos, e a sua produtividade horária sobe. Com exceção da França, outros países da Europa, nomeadamente os países nórdicos, estão mostrando que é possível ter uma economia forte sem ser um ‘workaholic’. E Noruega, Suécia, Dinamarca e Finlândia agora estão entre as seis maiores nações mais competitivas do planeta.

Cada vez mais empresas também estão percebendo que precisam permitir que seu pessoal trabalhe menos horas, ou apenas tenham uma pausa no trabalho para ‘se desligar’ e relaxar durante o expediente de trabalho, para que eles tenham tempo para recarregar sua Mente e descobrir um modo criativo de raciocínio.

Não são apenas os adultos que têm excesso de trabalho hoje. As crianças, também.

Lições de casa – ou Slow Children, incentiva as crianças e adolescentes a diminuir seu ritmo de atividades no dia e na semana. Cada dia elas colecionam mais e mais atividades escolares com mais lições de casa, mais aulas, mais atividades extracurriculares do que nós jamais teríamos concebido há apenas uma geração. E algumas das reclamações mais comoventes que eu recebia quando trabalhava nas escolas, eram de adolescentes implorando comigo para escrever a seus pais, para ajudá-los a desacelerar o ritmo, a sair dessa esteira de aceleração máxima.

Atualmente, já existem proibições de Lições de Casa surgindo em todo o mundo desenvolvido. Escolas que vinham acumulando uma grande quantidade de Lição de Casa há anos, agora estão descobrindo que ‘menos pode ser mais’. Então, houve um caso na Escócia, onde recentemente escolas particulares proibiram lição de casa para todos com idade inferior a 13 anos. Os pais assustaram-se com isso e disseram ao diretor: “O que você está fazendo – nossos filhos vão abaixar suas notas”. E o diretor respondeu:-“Não, não, seus filhos precisam relaxar no final do dia”. E já neste último mês, os resultados das provas chegaram, e em Matemática e Ciência, as notas subiram 20% em média, na comparação com outros anos.

É muito revelador saber que as universidades de elite, que são frequentemente citadas como a razão para que as pessoas direcionem seus filhos a elas, estão começando a perceber que os estudantes que vêm a elas estão melhor preparados:-“Enquanto essas crianças tinham currículos atolados com atividades extracurriculares, elas não apresentavam a capacidade de raciocinar de forma criativa, ‘fora do quadrado’ – não sabiam como ‘sonhar’”.

E é assim que as escolas da Ivy League, Oxford, Cambridge e outras, começam a enviar uma mensagem para os pais e alunos que ‘colocar os pés nos freios um pouco faz bem’. Em Harvard, eles enviam uma carta para alunos calouros, dizendo-lhes que “eles irão aproveitar bem mais da Harvard, se souberem tirar mais proveito da vida fora de Harvard, se colocarem o ‘pé no freio’, se fizerem menos, com maior profundidade, dando o tempo que as coisas precisam para serem assimiladas, para então, cada aluno apreciar os novos conhecimentos, saboreá-los com um ‘paladar’ mais aguçado”. Esta carta é chamada – muito apropriadamente, de “Slow Down!”com um ponto de exclamação no final que a escola faz questão de enfatizar.

Assim, seja de que forma você interprete essa mensagem, parece-me que ela sempre terá o mesmo significado, de que “menos é muitas vezes mais”, que aquilo que é feito mais lentamente tem um resultado muitas vezes melhor do que o que é feito apressadamente.

Se os resultados são, assim, tão positivos, porque é tão difícil às pessoas ‘desacelerarem’?

Eu acho que existem várias razões. Uma delas é que a velocidade é desafiadora e desencadeia muita adrenalina no sangue. Enchemos a nossa cabeça com distração, com ocupações, de modo que não temos de nos perguntar se ‘estamos bem ou felizes’, ‘se nossos filhos estão sendo educados corretamente’, etc.

Entretanto, penso que, talvez, a mais poderosa razão da nossa dificuldade em ‘desacelerar’ nosso ritmo de vida seja porque construímos uma crença negativa sobre tudo aquilo que acontece lentamente. Assim, o trânsito que não flui rapidamente é ‘lento’, cansativo. A criança que demora a aprender é chamada de ‘Lenta’, ou de ‘Lerda’… Não encomendamos nossos móveis em um marceneiro porque ‘ele demora muito para entregar’, etc. É quase um sinônimo de “preguiçoso” e chega a ser até sinônimo de “falta de inteligência”.

Penso até que o principal objetivo do “Slow Motion” (movimento lento) é combater esse tabu, e dizer que sim, às vezes ser ‘lento’ é sinônimo de Melhor Qualidade, Melhor Resultado Final, Melhor Resposta.

O tipo de idéia revolucionária do Movimento Lento, é que não existe melhor estratégia para se alcançar os melhores resultados quando as coisas podem ser feitas com calma, com tempo – e não apressadamente. Existe até um provérbio antigo que diz:-“O apressadinho como cru”.

Pessoas como você, como eu, estão começando a perceber que há um excesso de velocidade alimentando nosso ritmo de vida, nosso sistema como um todo. Há muita correria, e é hora de voltar ao que se perdeu pelo caminho em busca do desenvolvimento acelerado. Precisamos retomar o ‘controle das marchas’ da nossa vida, mecanicamente, e não mais artificialmente como a tecnologia faz, impondo a cada um de nós o mesmo ritmo, como se todos nós fôssemos simples robôs’ programados da mesma forma, para respondermos da mesma maneira.

É isso que está nos prejudicando, nos fazendo adoecer. Até uma máquina programada para trabalhar num certo ritmo, se ela não ‘obedecer’o tal ritmo, ela irá durar menos tempo do que o previsto por seus fabricantes. E isso também está acontecendo com a ‘nossa Máquina’ –  Corpo e Mente. Estamos adoecendo mais facilmente, mesmo nos alimentando com melhor qualidade. As pessoas não têm tempo nem para mastigar e digerir seus alimentos na hora das refeições. Precisamos dar um Basta nisso tudo. Não podemos deixar que nos transformem em ‘escravos’ de novas tecnologias, nem de ‘ritmos acelerados’ de vida que acabam arrebentando com as nossas resistências naturais, deixando-nos expostos a doenças que jamais imaginamos. Ou ‘ceifando’ nossas vidas muito antes do que desejaríamos, ou poderíamos alcançar.

Eu mesma, já há alguns anos venho respeitando mais meu ritmo biológico e isso me tem feito muito bem. Passei a entrar em contato com a meu ‘bicho preguiça interior’, e percebo que tudo o que faço no meu ritmo sai bem melhor, porque recebe um tempo para ser idealizado, criado, analisado, amadurecido e, ao final, nem sempre é considerado ‘definitivo’, fechado em si mesmo, porque a cada vez que revejo o que está feito, novas idéias melhores surgem.

Meu modo padrão de ser não é, nem nunca foi, o de um Ayrton Senna. Meu tempo interior também não corre na mesma velocidade do tempo criado por alguém num determinado momento, para ‘organizar’ não o ritmo, mas a Ordem da Passagem do Tempo aqui na Terra.  Cada um de nós precisa se conhecer para descobrir seu próprio ritmo e, então, se sentir bem. 

E o resultado de tudo isso é que eu, depois de tomar a decisão de não me atropelar mais (nem deixar que me atropelem com outros ritmos), realmente me sinto muito mais feliz, mais saudável, mais produtiva do que nunca. Sinto que agora realmente vivo minha vida, em vez de apenas sair correndo por ela e atropelar a mim mesma. E, talvez, a mais importante medida do sucesso dessa experiência é que eu sinto que meus trabalhos, minhas reflexões, e relações passaram a ser muito mais profundas, mais ricas…, mais tranquilas.

O Cérebro e os neurotransmissores estressados causam doenças físicas. Daí a importância de desacelerar o ritmo das crianças e adolescentes, diminuindo suas atividades corporais.

criança estressada 23-10-2015

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Um comentário sobre “Desacelerando o Ritmo de sua Vida – é possível??

  1. Muitos Parabéns por mais um excelente texto, minha querida Angela Alem. ❤
    Aquilo que se exige hoje das Pessoas chega a ser desumano. Seja o ritmo de trabalho, seja a exigências da vida em Sociedade onde se incluem os tempos de deslocação (seja em veículo privado ou transportes públicos), ou as atividades particulares, tudo pode contribuir para um descontrolo do ritmo corporal caso não sejam acautelados alguns cuidados pessoais.
    Cada um de nós tem por obrigação de saber quais os seus limites de resistência e de como fazer para não os ultrapassar, sob pena de atingir o ponto de não retorno (aquele momento 'caótico' que causa dano psicológico).
    Torna-se fundamental aprender a ter uma inteligência emocional equilibrada para minimizar os danos psicológicos. Mas os conselhos que nos dá para diminuirmos os ritmos de stress a que estamos expostos são muito úteis e benéficos para o organismo.
    Bem-haja pelos alertas que nos deixa minha querida. ❤

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