A Magia do Amor

A Magia do Amor

Girl Kissing Frog Prince --- Image by © Sandra Seckinger/zefa/Corbis

Girl Kissing Frog Prince — Image by © Sandra Seckinger/zefa/Corbis

Antes de falar sobre este tema, quero antes deixar aqui algumas das diferentes formas de se entender o significado de ‘Magia’.

MAGIA:  Esta palavra tem muitos significados, mas quero me ater somente aos que são mais frequentemente usados nos Contos de Fadas.

  • “Ciência e arte em que se pretende empregar conscientemente poderes invisíveis para obter efeitos visíveis;
  • Sensação ou sentimento que se compara aos efeitos da magia;
  • Conjunto de práticas ocultas, por meio das quais (sobretudo nas sociedades primitivas) se pretende atuar sobre a natureza das pessoas (características externas e internas) seja de forma positiva ou negativa, mas que podem transformar a vida de uma pessoa.”

A Magia, antigamente chamada pelos magos  de Grande Ciência Sagrada, é uma forma de ocultismo que estuda os segredos da natureza e a sua relação com o homem, criando, assim, um conjunto de teorias e práticas que visam ao desenvolvimento integral das faculdades internas espirituais e ocultas do Homem, até que este tenha o domínio total sobre si mesmo e sobre a natureza.

A Magia tem características ritualísticas e cerimoniais que visam a entrar em contato com os aspectos ocultos do Universo e da Divindade. Afirma-se que, por meio de rituais, feitiços, orações ou invocações, é possível fazer com que forças ocultas atuem sobre o ambiente, modificando, por exemplo, a vontade, o agir ou o destino das pessoas. Essa concepção, no entanto, é tida como irracional pela ciência.

Dentro desses significados, temos vários exemplos nos Contos de Fadas, onde os efeitos positivos das Magias são desencadeados pelas FADAS, pessoas de Espírito de Bondade, e os efeitos negativos, pelas BRUXAS (FEITICEIRAS) ou pessoas de Espírito de Maldade.

Exemplo de Ritual da Magia do Amor, do Bem: Transformação do “sapo” em “Príncipe”, nos Contos de Fadas

Essa Transformação acontece pela ‘magia’ contida no sentimento ao qual chamamos Amor – e não porque um ‘sapo’ de verdade se transformou em príncipe de verdade. É preciso um AMOR EXTRAORDINÁRIO AO OUTRO para termos a ‘coragem’ de beijar um ‘sapo’ (animal que a grande maioria classifica como ‘repugnante’). As próprias crianças quando ouvem a estória demonstram essa reação de :-“Ecaaa…, beijar um sapo? Eu não!”.

Quando o adulto que conta a estória perceber essa reação na criança (ou crianças) precisará (ao final da estória) questionar as crianças se teriam a coragem de beijar um sapo – e se a resposta for “não”, questionar porque isso acontece, o que nos leva a nos afastarmos de algo ou alguém diferente de nós, etc….

E, aproveitando o momento, pedir a elas que digam quais outros bichos (ou pessoas) elas não teriam coragem de beijar, e porquê – se têm medo deles ou, que sentimentos elas sentem que as afasta desses animais ou pessoas…

Da mesma forma, quem conta tais estórias às crianças sabe que a cada momento surgirão alguns Rituais de Magia – tanto do bem quanto do Mal. Assim, deverá ficar sempre atento às REAÇÕES DAS CRIANÇAS a tais situações. Voltando ao exemplo, um Ritual da Magia do AMOR – um BEIJO, por exemplo, no Sapo ou na Bela Adormecida, pode desencadear o surgimento de emoções ligadas a um sentimento que transforma a própria pessoa que o dá, bem como quem o recebe…, e que inclui também sua visão e ‘sentimento de mundo’ que as cerca. Nesse caso, a Magia desencadeada pelo SENTIMENTO DE AMOR, nos faz enxergar as pessoas a quem passamos a Amar, como ALGUÉM MUITO ESPECIAL, ÚNICA NO MUNDO.

Ritual da magia do Mal : Exemplo – entregar uma ‘maçã muito bonita, mas…, envenenada’, a quem se deseja  fazer o Mal. (Branca de Neve e os sete anões). Quem conta este tipo de conto a crianças, deverá estar atento às reações das crianças para perceber:

1-quais crianças curtem este sentimento de alguém ‘querer fazer mal ao outro’;

2-quem se sente emocionalmente mal, triste, preocupada com tal situação.

Então, quando terminar de contar a estória, conversar com as crianças sobre o que acharam do que a bruxa fez e do que acharam do final da estória. Ou, ainda, que parte da estória gostaram mais, ou gostaram menos…

Se as crianças já forem maiorzinhas questionar com elas se costumam se aproximar de pessoas que não conhecem – porque não se aproximam, ou não, de tais pessoas – colegas de escola, amiguinhos do prédio, pessoas desconhecidas que encontram no parquinho da Praça. Ou até outros personagens de outros contos de fadas dos quais as crianças se aproximariam ou não delas – e porque fariam ou deixariam de fazer isso…).

Afinal, os Contos de Fadas foram criados para ENSINAR AS CRIANÇAS A LIDAR COM OS PROBLEMAS DESTE MUNDO, principalmente os PROBLEMAS EMOCIONAIS, de SENTIMENTOS NEGATIVOS QUE ELAS AINDA NÃO CONSEGUEM EXPLICAR, mas que exatamente por isso acabam por criar traumas e medos dentro delas (e até preconceitos) que poderão prejudica-las mais tarde.

Quando os Contos de Fadas são CONTADOS E EXPLORADOS da forma adequada, e de um jeito que CONSIGA ATRAIR a ATENÇÃO DAS CRIANÇAS, seus conteúdos se transformam em Terapias Preventivas para o Desenvolvimento Emocional das crianças que crescerão melhor adaptadas à realidade que as cerca e com ATITUDES MAIS ASSERTIVAS, no Futuro.

Daí a necessidade de quem conta estórias infantis precisar ter algum conhecimento sobre ‘crianças’ (suas ansiedades, medos, traumas, curiosidades…). Para tal, basta que o adulto que se dispõe a contar estorinhas para as crianças, se lembre dele mesmo quando criança – seus medos, incertezas, ansiedades, frustrações, tristezas – e o que lhes provocava tais sentimentos negativos). Este ‘preparo prévio’ sobre o ‘mundo interior emocional das crianças’ precisa ser levado até elas e ‘trabalhado’, analisado com elas. Do contrário perde-se todo seu principal objetivo educacional de – formar crianças emocionalmente mais fortes, mais equilibradas, para tornarem-se também adultos mais centrados e equilibrados em suas decisões pessoais e profissionais, principalmente nos momentos mais estressantes.

QUEM CONTA ESTORIAS INFANTIS PRECISA COMPREENDER TODA A EXTENSÃO E PROFUNDIDADE DOS SENTIMENTOS E EMOÇÕES QUE ESTARÁ TRANSMITINDO ÀS CRIANÇAS, bem como SUA RESPONSABILIDADE E OBJETIVO AO DECIDIR FAZER ISSO.

pequeno_principe_ magia do amor    18-01-2016

O adulto que assume essa tarefa, precisa compreender a FORÇA E O PODER DAS EMOÇÕES (positivas e negativas) sobre as crianças. SENTIMENTOS E EMOÇÕES REPRESENTAM A MAIOR FORÇA DE TRANSFORMAÇÃO DOS SERES VIVOS – HUMANOS E ANIMAIS – ÚNICOS CAPAZES DE CONSTRUIR UM MUNDO MELHOR (ou DESTRUIR PARA SEMPRE UM SER HUMANO COM ALTO POTENCIAL DE SER FELIZ E FAZER OUTRAS PESSOAS FELIZES E MELHORES).

Quando a criança nos pede para ‘repetir’, e voltar a ‘repetir’ a estorinha contada, pode ser um indicativo de que ela gostou muito da estorinha:-

  • neste caso, perguntar a ela quais trechos da estorinha ela gostou mais (analisar e ver os pontos positivos ou negativos que a levaram a  gostar tanto deles); ou…,
  • ainda não entendeu exatamente o que algumas partes da estorinha significam; então, o contador de estórias deve ler novamente a estorinha usando outras palavras e ver a reação da criança;
  • Feito isso, ele deve pedir à criança que crie, ela mesma, uma estorinha parecida com a que acabou de ouvir. Assim será mais fácil perceber se ela compreendeu a mensagem, se isso a agradou ou não, etc.

Transforme momentos de divertimento com as crianças em momentos de Ensino-Aprendizagem de VALORES HUMANOS essenciais ao sucesso pessoal e profissional de quem amanhã terá sob sua responsabilidade tornar a Sociedade e o Mundo um lugar melhor para se viver.

Angela Alem     18-01-2016

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Um comentário sobre “A Magia do Amor

  1. Mais um excelente texto seu, minha querida Angela Alem. ❤ ❤ Na realidade quem 'constrói' uma história para crianças utiliza o figurativo e artifícios de magia para cativar o interesse das crianças e facilitar a sua compreensão. Quem conta deva dar as devidas enfases, respeitando o espírito da história, e estar atento às reações da criança para que a imersão no enredo seja o melhor possível com a melhor compreensão do tema. Você ainda nos vai surpreender, um dia, quando começar a escrever histórias para crianças. Tem TODAS as competências para o fazer, acrescidas de uma sensibilidade ímpar, capaz de deliciar qualquer criança. Fiquei deliciado a ler o seu texto e a lembrar-me das histórias que ouvi quando criança.

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