HOMENAGEM a Umberto Eco

 

 

 

 

HOMENAGEM a Umberto Eco

Romancista e Linguista que influenciou minha geração e (espero) muitas outras gerações após a minha, no que diz respeito ao Poder da Comunicação, seus símbolos e significados.

Conheci Umberto Eco, este gênio da Comunicação Linguística, na época da faculdade (PUCSP), em minhas aulas de Linguística e Semântica. Ser apresentada a sua obra foi uma das descobertas mais incríveis que me aconteceu, desenvolvendo minha capacidade de Perceber para muito além do óbvio, permitindo-me ver, compreender e interpretar inicialmente ‘obras literárias’ em uma dimensão muito maior do que simplesmente ‘decodificar palavras em um texto’. Começou assim meu primeiro passo para a real compreensão sobre o que representa a criação de uma Obra e sua MENSAGEM, o que ela traz em si para o Receptor como UM MUNDO DE INTERPRETAÇÕES, onde cada uma pode ser considerada ‘correta’ dentro de contextos e análises mais abrangentes e profundas.

Apesar de ter me encantado com o seu romance “O nome da Rosa”, foram seus livros sobre Linguística e Semiótica que me conquistaram para sempre – levando-me a fazer alguns cursos de Pós-Graduação nessa área… E, como consequência, a desistir logo em seguida, de ensinar Gramática aos meus alunos do ensino Fundamental e Médio. Depois de conhecer como se dá a construção da Comunicação, tornou-se muito complicado para mim ensinar aos alunos a ‘rigidez’ da Gramática, sabendo que na Comunicação, a Linguagem é muito mais fluida , leve e compreensível.

Umberto Eco, o Linguista que mudou a forma de nos relacionarmos e entendermos o que Escritores, Jornalistas, Cineastas, Artistas…, nos transmitem em suas Obras, dirigidas ao público, à ‘massa’, independente do ‘meio’(ou Mídia) utilizado por seus ‘autores’.

 

Capa Livro Obra Aberta - Umberto Eco          20-02-2016

Somente depois de Umberto Eco é que se passou a dar importância não somente ao ‘autor’ das mensagens enviadas à população em geral, como também a levar em grande consideração   o lado do Receptor de tais mensagens e sua interpretação das mesmas.

Por algum tempo, às discussões das teorias da comunicação, acerca da cultura difundida pelos meios de comunicação de massa, alijavam as contribuições que o público inseria na interpretação de uma mensagem ou produto, enxergando o processo cultural como uma via de mão única: a do emissor. A evolução das teorias do campo comunicacional demonstra claramente um percurso em que o papel e a contribuição interpretativa do público são apreendidos aos poucos”.( (ESCOSTEGUY, 2001, p.153).

Os estudos de Umberto Eco são representados por uma re apropriação audaz de temáticas e contextos que são retomados sob um ponto de vista crítico e investigativo, partindo de uma leitura nova que aponta para outros caminhos.

É nesse sentido que o estudo do livro “Obra Aberta” propõe uma revisão dos conceitos, práticas e hipóteses da comunicação, da cultura e da apatia dos sujeitos.  O conceito de ‘obra aberta’ aponta para o fato de que o interlocutor pode guiar e manobrar uma obra, uma vez que ele é um sujeito ativo que desenvolve suas ações.  

A primeira edição do livro é datada de 1962, e não por acaso, é uma época em que a arte europeia, especialmente a italiana, assistia à disseminação de obras de arte indeterminadas com relação à forma, chamando o intérprete para participar ativamente na construção final do objeto artístico.

Ao conhecer o instante cultural que fazia emergir na sociedade inglesa novas identidades, em pleno século XX, é necessário  contextualizar  um novo tipo de sujeito – o sujeito pós-moderno. Este é o indivíduo sem identidade engessada, essencial ou imutável, que na verdade vive e respira processos de identificação flutuantes, criados e recriados, continuamente, em relação às maneiras pelas quais todos se vêm inter-relacionados nos regimes culturais que os circundam.

Antes de Umberto Eco, a interpretação de qualquer mensagem enviada às pessoas, só seria considerada ‘correta’, quando coincidisse com o que o ‘autor’ queria dizer ao escrever suas obras – significando que qualquer tipo de ‘obra’ criada por alguém encerrava em si mesma uma ÚNICA E RESTRITA MENSAGEM…, que o receptor deveria ‘adivinhar’.

Dessa forma, obras indicadas para serem vistas ou lidas nas Escolas de Ensino Fundamental e Médio daquela época traziam também (à Parte) questões dirigidas aos professores, e que ele deveria usar em sala de aula para ‘direcionar’ o raciocínio de seus alunos àquilo que seus leitores deveriam observar e analisar para se chegar a um ‘denominador comum’, ou, uma mesma resposta para uma mesma mensagem.

Assim, a influência que recebi deste fantástico linguista foi determinante para o desenvolvimento não só do meu Raciocínio Lógico – que, a partir dele, nunca mais existiu sozinho, mas imbricado com outras Inteligências, outros tipos de Raciocínio para chegar a novos desafios de interpretação  de qualquer Estilo de Comunicação, enriquecendo muito minhas experiências futuras em Todas as áreas do Conhecimento. À partir daí também minha Criatividade foi se desenvolvendo, como consequência de uma maior ATENÇÃO ao que se passava a minha volta.

Nos estudos de Umberto Eco, há uma relação de diálogo entre as motivações da obra aberta e as teorias da relatividade e da física quântica, quando estas geram uma descentralização, ou seja, uma ampliação das direções imagináveis, da compreensão da realidade. Assim, as obras clássicas, anteriores às ‘obras abertas’, não podem ignorar a pluralidade de sentidos do mundo, nem mesmo aniquilar o aspecto multifacetado da Intercomunicação.”  (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação”– Natal – 2 a 6 de setembro de 2008) 

Tornando-se obsoletas as obras tradicionais, os artistas da obra aberta mergulharam na busca de uma nova linguagem artística, capaz de promover no intérprete a noção de pluralidade e suas vastas interpretações.

Será que as Faculdades continuam aplicando tais ensinamentos às novas gerações, ou já os ‘substituíram’ por outros mais ‘modernos’??

Umberto Eco é um clássico da Linguística e da Comunicação, porém, um Clássico que continua inovando em suas obras posteriores.

Outros linguistas podem e devem se juntar aos ensinamentos passados por ele, mas NUNCA SUBSTITUI-LO. Substitui-lo é deixar de lado o ÚNICO LINGUISTA QUE REALMENTE conseguiu ABRIR NOSSA MENTE PARA RACIOCÍNIOS MAIS PROFUNDOS E ABRANGENTES.

Angela Alem   20-02-2016

 

 

 

 

 

 

 

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